Como a LGPD pode melhorar a competitividade das empresas

Como a LGPD pode melhorar a competitividade das empresas

A implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) promoverá mudanças na relação das empresas com dados pessoais. E essa poderá ser uma oportunidade para tornar os negócios mais competitivos. A legislação garante maior poder de decisão ao consumidor a respeito do uso das informações, ainda assim, as organizações que estiverem preparadas terão mais oportunidade de crescer. 

A LGPD, que começa a valer em agosto de 2020, tem como uma de suas principais diretrizes a obrigatoriedade do consentimento explícito do titular para o uso dos dados pessoais. Esse empoderamento guiará a forma como as informações poderão ser usadas e com qual finalidade. Resumidamente, o cidadão terá o poder de decidir se aceitará que os dados sejam repassados a outras empresas, usados em campanhas ou pesquisas. Também poderá pedir a exclusão a qualquer momento, salvo algumas exceções. 

O empoderamento do titular certamente impactará na estratégia de muitos negócios. Empresas mais maduras e preparadas, que levem as normativas a sério, terão um importante diferencial. Afinal, poderão colocar o consumidor como centro das relações em ótica multicanal (“omnichannel customer centric experience”) e estabelecer com ele uma relação de confiança. 

Contrapartida pelo uso de dados

Uma das preocupações é a possibilidade de clientes não permitirem o uso de dados para campanhas ou como base para nortear as ações do negócio. Alguns países, como a Itália, têm leis de proteção de dados há anos e, por lá, o empoderamento do consumidor pouco impactou nesse sentido. O país instalou em 1996 uma série de normativas para garantir a privacidade dos usuários. Desde então, as empresas vincularem a continuidade de execução dos serviços ao consentimento dos dados, o que reduziu em muito a recusa do consentimento. 

O resultado é que muitas pessoas continuaram permitindo a coleta e tratamento de dados, desde que soubessem para qual finalidade. Aqueles que não consentiram têm uma experiência limitada, podendo até mesmo ter um custo adicional para expandir o pacote de serviços. As empresas italianas conseguiram demonstrar para os consumidores que as informações são uma contrapartida pelo uso de suas informações. 

No Brasil, a personalização do atendimento ao cliente estabelecido pela coleta de informações no e-commerce precisará ser revista, por exemplo. Se hoje ao entrar em um site, o cidadão recebe logo de cara produtos e serviços conforme o seu perfil, ao longo da LGPD isso poderá mudar. Com poder decisão, ele pode decidir que seus dados não sejam usados para esse fim. 

[Leia também: 5 dicas para o setor imobiliário se adaptar à LGPD]

Ainda assim, essa será uma oportunidade das companhias reverem suas estratégias e pensarem em como se diferenciar sem deixar de lado a proteção das informações pessoais. Conquistar a confiança do cliente será um desafio, mas uma política de governança que sustente a boa imagem da empresa pode ajudar nesse processo.

Uma gestão eficiente da coleta e tratamento de dados e uma boa gestão deles será um importante diferencial. Crescerão as empresas que investirem em armazenamentos mais seguros, cibersegurança, inteligência de dados, compliance, governança, um departamento jurídico e gestão de riscos. Políticas internas, práticas para proteção das informações e respeito ao direito do consumidor se tornarão cada vez mais importantes. 


Escrito por

GEP | Soluções em Compliance

Sistema integrado de Governança


• Segurança e Gestão da Informação ( LGPD)
• Governança Corporativa
• Conformidade e Integridade Empresarial