Como melhorar a eficiência dos programas de compliance

Como melhorar a eficiência dos programas de compliance

Texto por: Bruno Basso

A implementação de programas de compliance é imprescindível para evitar episódios de fraudes e corrupção nas corporações. No entanto, será bastante limitada a eficiência destas práticas pela simples aplicação delas sem que todas as lideranças estejam envolvidas no projeto. A eficiência também será fragilizada caso os colaboradores não se sintam engajados em uma cultura ética permanente. O programa de compliance deve ser aplicado continuamente e envolver todas as pessoas que trabalham na empresa. 

Quando observamos os casos de corrupção mais recentes envolvendo grandes corporações, como os relacionados à Operação Lava Jato, no Brasil, pode-se imaginar que estas empresas, mesmo as de grande porte, não tinham um projeto sólido de compliance. Outro pensamento comum é acreditar que se tratavam de “programas de fachada” (sham programs ou paper compliance program). Embora estes argumentos possam ser verdadeiros, dependendo do caso, por si só, não justificam a prática de fraudes tão enraizada naquelas organizações como se viu após a investigação.

Muitas delas tinham regras e Departamentos de Compliance ou de Auditoria Interna atuantes, porém, falhavam ao transmitir as normas e criar uma cultura ética em todos as instâncias da empresa. O que significa que muitas delas apresentavam uma visão distorcida das lideranças que estavam à frente das organizações. 

De acordo com o professor e consultor Alexandre di Miceli Silveira, no livro “Ética Empresarial na prática: soluções para gestão e governança no século XXI”, pode-se afirmar que há três problemas principais que acabam prejudicando a implementação eficaz de programas de compliance, limitando seus efeitos dentro das empresas: “o primeiro é que eles são concebidos sob uma perspectiva meramente legal; o segundo é que as áreas de controle, em regra, são desconectadas da gestão diária da empresa; o terceiro e mais grave de todos é que eles são construídos para pegar ‘maçãs podres’, ou seja, apenas aquelas pessoas mal-intencionadas”.

Neste trecho, fica claro que, após promover um projeto robusto de compliance, as corporações precisam realizar ações constantes de engajamento de toda a equipe. Não basta apenas estabelecer regras de cima para baixo (tone at the top) prevendo apenas medidas de punição. A ética precisa ser uma prioridade de todos, líderes e demais colaboradores. Todas as pessoas do time precisam ser encorajadas a cumprir seu papel em prol de práticas que evitem corrupção e outros crimes similares.

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Ao contrário do que muitos líderes imaginam, estabelecer um controle rígido também não é uma solução que garante a eficácia do projeto. Este é um erro bastante comum, mas é preciso considerar que represálias constantes podem influenciar diretamente no ambiente de trabalho, provocando um clima pesado e, por consequência, interferindo na produtividade e no bem-estar dos colaboradores. Desta forma, fica ainda mais evidente que o incentivo e a participação de todos por um bem comum é muito mais eficiente. Quando os funcionários se sentem parte de um projeto e percebem a importância de trabalhar com ética, cria-se uma cultura interna. Assim, todos se sentem mais dispostos a agirem de maneira correta. 

Pensar no coletivo e compreender a importância do compliance para um futuro próspero de uma empresa é o que garantirá a eficácia do projeto. Recapitulando: não basta apenas estabelecer as regras, restringí-las a uma parte do time ou torná-las uma razão para represálias. O importante é que se compreenda que são necessárias e todos devem estar incluídos nelas. Há uma frase do escritor e consultor administrativo Peter Drucker que ilustra muito bem a reflexão sobre o assunto: “fazer as coisas certas é mais importante do que fazer as coisas direito”.

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Bruno Basso

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