Governança é indispensável para a eficácia da gestão portuária

Governança é indispensável para a eficácia da gestão portuária

gestão portuária

Texto por: Maurício Rotta

O avanço do comércio exterior tem impactado diretamente na economia mundial. Os números comprovam que o setor está se desenvolvendo a cada ano. Isso aumenta a relevância dos portos nessa rede de logística. Em uma década (2000 a 20010, a  Organização Mundial do Comércio (OMC,2011) registrou um aumento de 4,3% nas exportações mundiais ao passo que o PIB mundial cresceu 2,5% no período.  É inevitável apontar que qualidade dos fluxos gerenciados pelos portos influenciou diretamente na competitividade de diferentes setores da economia. Assim, é indispensável que estas estruturas que compõem a cadeia-logística tenham boas práticas de governança portuária para uma eficiente gestão. 

Grande parte das atividades de Distribuição Física Internacional (DFI) passa pelos portos desde o embarque até a chegada das cargas ao destino. Todos os passos desta cadeia causam impacto nos fluxos logísticos e a qualidade dos serviços reflete nos custos dos produtos e no nível de serviço de importadoras e exportadoras. 

Portanto, para melhorar e aperfeiçoar o gerenciamento destas etapas uma boa governança é essencial. Afinal, a atividade portuária é complexa envolvendo atividades logísticas ligadas à exportação e importação. Desta forma, sua atuação pode ser vista a partir de três dimensões: 

a) como um um espaço que possui fronteiras com outros ambientes (naturais e urbanos); 

b) como agente econômico, pois influenciam no fluxo de comércio e o valor dos produtos, além de auxiliarem o desenvolvimento econômico das regiões em que estão localizados; 

c) como elo de cadeias logísticas (marítimas / terrestres).

Portos como aglomeração empresarial: a importância da governança portuária

Na terceira dimensão, deve-se incluir todos os atores que fazem parte da cadeia logístico-portuária. Pessoas e empresas que participam, direta ou indiretamente, das atividades ligadas ao porto integram essa complexa rede. Com tantos membros, fazer com que todos atuem de uma maneira eficiente e ágil depende de uma governança ativa. Afinal, olhando desta forma, o complexo portuário pode ser compreendido como uma aglomeração empresarial. Nele ocorre uma conexão entre os atores para a distribuição de produtos em diferentes mercados e territórios com limites definidos. 

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Como qualquer corporação, é importante que os papéis sejam bem definidos e as responsabilidades estejam expostas de forma clara. A direção e coordenação destes atores fazem parte das atividades da governança. 

Pensar em estratégias para tornar os serviços mais ágeis, evitar entraves, atrasos e outros problemas que prejudicam o fluxo é importante para garantir o funcionamento de uma estrutura tão complexa. A governança irá estabelecer relações entre os diferentes atores e influenciar na competitividade do porto, impactando no desenvolvimento econômico da região onde está localizado. 

A falta de uma boa coordenação pode gerar aumento nos dwell times (tempo de espera) e nos custos para empresas exportadoras e importadoras. Assim, ao implementar uma governança portuária, deve-se observar os seguintes pontos:

  1. Levantar necessidades de qualificação do pessoal da autoridade portuária;
  2. Verificar necessidades de qualificação gerencial na autoridade portuária;
  3. Desenvolver um planejamento estratégico do porto e um sistema de gestão (com informações e indicadores para a tomada de decisão) na autoridade portuária;
  4. Aperfeiçoar a gestão e coordenação entre a autoridade portuária e os terminais para o aprimoramento da cadeia logístico-portuária;
  5. Desenvolver as seguintes ações de governança para a coordenação da cadeia logístico- portuária: a) criar um programa de qualidade da cadeia logístico-portuária; b)  implementar e aprimorar sistemas de informação; c) qualificar pessoal; d) aprimorar relações porto-cidade, considerando um programa de Responsabilidade Social Corporativa e projetos ambientais; e) fortalecer a integração e comunicação nas operações realizadas nos pátios dos terminais.
  6. Determinar tarifas ou preços máximos para os diferentes serviços portuários, especialmente os prestados pela iniciativa privada, tais como empresas de praticagem e os próprios terminais.

Escrito por

Maurício Rotta

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