Porque implementar um programa de compliance

Porque implementar um programa de compliance

As empresas estão cada vez mais preocupadas em implementar um programa de compliance. A necessidade de uma autorregulamentação tem se tornado uma prioridade para evitar escândalos, fraudes, corrupção e outros crimes que mancham a imagem de uma corporação a longo prazo. Vivemos um momento em que os consumidores estão atentos a qualquer deslize e, neste caso, a prevenção é a melhor opção.

O compliance surgiu na década de 1990 quando o tradicional enforcement estatal sancionatório deu espaço para que as próprias corporações passassem a elaborar regras e normas a serem cumpridas internamente. Os episódios mais recentes de corrupção divulgados na imprensa mostram que o Estado não tem condições de fiscalizar sozinho as falhas nos mais diferentes tipos de instituições, seja de grande ou pequeno porte. Assim, qualquer companhia que esteja preocupada com o futuro está atenta à implementação de práticas de compliance. 

A grande questão é que, mesmo após a criação desses programas, casos de fraudes não param de acontecer. Onde está o erro? É preciso que ocorra uma transformação cultural em toda a empresa para que todos estejam envolvidos no cumprimento das normas. O escritor e consultor Alexandre di Miceli Silveira, no livro “Ética Empresarial na prática: soluções para gestão e governança no século XXI”, afirma que “as decisões antiéticas são resultado de um processo de desengajamento moral que se desenvolve ao longo do tempo por meio de mudanças graduais e imperceptíveis. Quase ninguém, e provavelmente nenhuma organização, simplesmente decide cometer uma grande transgressão do dia para a noite”. 

Assim, é equivocado acreditar que a simples autorregulação será suficiente para evitar situações de risco. É importante sempre promover novos estímulos ao cumprimento das regras. 

Programa de compliance: Foco nos valores da empresa 

O segredo para um bom funcionamento do programa de compliance não está em estabelecer normas severas, que fujam da realidade. Mas, sim, focar nos valores da empresa e em fortalecer a cultura de dentro pra fora da organização. Acreditar que o binômio recompensa-punição, popularmente chamado de “cenoura e chicote”, será responsável por alavancar o projeto é um engano. É muito mais assertivo incentivar um compromisso com os valores e princípios da empresa, abrangendo todas as hierarquias. 

Conforme os autores Peter Ulrich e Thomas Maack, a adoção ética pragmática embasada em quatro pilares (compromisso, coerência, consistência e continuidade) é muito mais eficiente. As organizações devem incentivar seus colaboradores a terem compromisso com valores e princípios, a serem coerentes com as atitudes, a praticarem consistência com os hábitos e, por fim, a darem continuidade ao discurso. Sem esses passos que promovam um impacto interno, pouca diferença fará um programa de compliance à empresa. 

Reforçando, a  implementação dessa autorregulamentação deve ocorrer de dentro para fora, não apenas porque é o que prevê a legislação, mas principalmente por aspectos morais. Ao invés de criar uma política punitiva, estabelecendo muros dentro da empresa, é necessário criar pontes. 

Os programas de compliance existem há muito tempo no mundo corporativo, porém, práticas empresariais antes toleradas, agora se tornam cada vez menos aceitas socialmente. Recentemente há uma preocupação maior com o nível de reputação exigido pelos acionistas (stakeholders). Assim, a busca pela integridade e coerência com base nos valores das empresas é essencial. 

O programa de compliance quando funciona em todas as suas capacidades e é seguido por todos na empresa é essencial para o desenvolvimento de qualquer organização. É uma ferramenta bastante útil para a construção de uma boa reputação e busca da excelência. Prevenir os riscos com o engajamento de todos da empresa é a melhor maneira para que as regras de compliance façam a revolução organizacional que se espera. 

Escrito por

Bruno Basso

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