Compliance em tempos de crise: uma breve reflexão

Compliance em tempos de crise: uma breve reflexão

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Não é de hoje que as organizações buscam desenvolver e aprimorar mecanismos de integridade. É em tempos de crise, contudo, que conseguimos não apenas medir a eficácia dessas ferramentas, mas, principalmente, o nível da maturidade da cultura organizacional de uma determinada instituição.

E o motivo é simples: é que o fator “tempo” é um elemento chave para o desencadeamento de decisões irrefletidas, antiéticas e, até mesmo, ilegais nas organizações. E, em tempos de crise, somos levados, por fatores exógenos, a inverter as etapas do processo decisório.

Em momentos de crise, a “falta de tempo” induz os gestores a decidir rapidamente, muitas vezes sem o necessário discernimento ético acerca daquela conduta, proporcionando-se, assim, um verdadeiro desengajamento moral, em que a eventual adoção desses comportamentos se justificaria com base na excepcionalidade daquela situação.

De fato, em tempos de crise, o risco de adotarmos decisões antiéticas aumenta vertiginosamente. Afinal, quanto menos tempo temos para decidir, maior é a chance de tomarmos decisões sem a devida racionalização lógica.

Em outras palavras: passamos a racionalizar e aceitar aquela atitude antiética como o “novo normal”, sem refletir, entretanto, nas consequências nefastas e permanentes daquela decisão.

Em tempos de crise, é preciso atenção e não apenas intenção. Parafraseando-se o professor Mário Sérgio Cortella, precisamos nos questionar: quero?; devo?; posso? É que nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero.

Mas é preciso mais. Precisamos de ferramentas que, de maneira objetiva, auxiliem as organizações a tomarem decisões, minimamente, pensadas e refletidas, apesar da excepcionalidade do momento.

É, justamente, nesse ponto que devemos nos valer de mecanismos de integridade desenvolvidos, preventivamente, por meio de um efetivo programa de compliance, em especial, daqueles relacionados à gestão de riscos e aos controles internos.

Uma gestão de riscos eficaz, em que pese não conseguir prever de antemão todos os efeitos das incertezas nos objetivos da organização, proporciona uma maior racionalização do processo de decisão, uma vez que busca antecipar, detectar e responder, de maneira contínua, as consequências desses eventos.

Por meio dela, busca-se disponibilizar às organizações um maior número de informações – históricas e atuais – para que os gestores possam sopesar as suas decisões não apenas com base em suposições do mercado ou no denominado “efeito manada”.

Por sua vez, é preciso se ter controles eficazes implementados, a fim de que as decisões adotadas em tempos de crise estejam, suficientemente, respaldadas em disposições legais e normativas de cada organização.

É por meio dos controles internos, aliás, que se torna possível mitigar possíveis equívocos nas decisões adotadas pelos gestores, afinal, os responsáveis jamais podem se permitir estarem “cansados” demais para dizer a verdade.

Por essas razões, não há dúvidas de que os mecanismos de integridade implementados por meio de um efetivo programa de compliance são absolutamente essenciais para a sobrevivência das organizações em momentos de crise.

Bruno Basso

Advogado, Procurador de carreira do Município de Florianópolis e Sócio-Fundador da GEP Soluções em Compliance. É mestre em Direito Constitucional e Processual Tributário pela PUC/SP. Na área de compliance, possui Certificação Profissional em Compliance Anticorrupção – “CPC-A”, especialização em gestão de riscos e compliance e certificações em Compliance (INSPER), Compliance Anticorrupção (LEC), Gestão de Riscos – ISO 31000 (ABNT), Implementador Líder e Auditor Interno de Gestão Antissuborno – ISO 37001 (QMS Brasil) e Privacidade da Informação – ISO 27701 (ABNT). 

Escrito por

GEP | Soluções em Compliance

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